segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Ídolo da Semana

O ídolo desta semana vem de um suplemento para o Old Dragon:

Mestres dos Caminhos Secretos, pg 5 Um ídolo tecnorgânico!

A ilustração acima é de autoria de David Lucena, e apesar de ser bem diferentona, tem uma certa inspiração no nosso velho e conhecido ídolo demônio.

A ilustração ocupa a página 5 do suplemento do Mestres dos Caminhos Secretos, um suplemento em PDF para Old Dragon de autoria de Rafael Beltrame.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Importância do Medo no D&D

Eu estava lendo uma excelente postagem em um blog gringo a uns dias atrás e me peguei pensando em quão relevante é o medo na concepção original do D&D.

Como não se trata de um jogo de horror como tradicionalmente se entende isso (apesar dos Cthulhu Mythos e de antigos filmes de terror terem muita influência na concepção original do jogo), às vezes passa despercebido o quanto o medo está presente no D&D.

Pra começo de conversa, os principais antagonistas do jogo são “monstros”. O próprio senso comum já define um "monstro" como algo terrível e ameaçador - definitivamente algo monstruoso é algo a se temer. De uma certa maneira, a fundação de um dos principais antagonismos do jogo é "personagens versus o horripilante".

Mas fugindo dos conceitos mais abstratos e nos aprofundando direto nas mecânicas do sistema, encontramos o medo arraigado lá também. Muitas magias lidam com o efeito do medo, e até alguns monstros possuem habilidades que simulam isso.

Para termos um exemplo, no AD&D 2ªed, que não é bem a concepção original do jogo mas ainda está bem próximo dela, existem ao menos 4 magias cujo intento é aterrorizar o oponente (de cabeça, lembro de Spook, Scare, Fear e Eyebite), e provavelmente existem mais. E isso sem contar que ainda há uma magia que utiliza os maiores medos do inimigo para, literalmente, matá-lo de medo: a excelente Phantasmal Killer.

A relevância do medo no D&D é tamanha, que Remove Fear é uma magia de 1º nível, e está presente desde os primórdios do jogo (ao menos desde 1977). Isso pode implicar que remover o medo dos personagens é quase tão relevante e importante quanto curar seus ferimentos, ao ponto de ser necessário dar acesso aos jogadores a esse efeito logo no início do jogo.

Mas a principal mecânica envolvendo medo, a mais impactante para o jogo, é definitivamente a regra de moral. Os testes de moral das criaturas nada mais é do que uma forma semi-aleatória de definir quando os inimigos (ou aliados) perdem a coragem e fogem da batalha.

Presente desde a primeira encarnação do D&D, os testes de moral podem muito bem significar a diferença entre a vida e a morte dos personagens em um combate. E saber se aproveitar da moral abalada dos oponentes (ou como abalá-la) concede chances de vitória mesmo nos combates mais desiguais.

É uma regra que altera toda a dinâmica do combate no jogo, e que de uma certa maneira, o torna mais realista. Essa era uma mecânica da qual eu sentia muita falta no D&D 3.x, onde a regra está ausente. Por sorte o D&D 5ªed traz os testes de moral de volta, ainda que seja apenas como uma regra opcional no Dungeon Master's Guide.

É um artefato de um tempo em que nem todos os inimigos lutavam até a morte do último dos seus, em que nem todo oponente é um estóico que prefere a morte à rendição, e que fugir de (ou evitar) um combate era considerado uma opção viável de lidar com um encontro.

Mas mais do que isso, ainda, é um exemplo do quanto o medo era importante na concepção do jogo, como ele era algo levado em conta, e como ele de uma maneira ou de outra deveria impactar no jogo. Afinal, o D&D é um jogo que envolve combater monstros e explorar o desconhecido, e o medo faz parte de ambas estas coisas.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Ídolo da Semana

Certamente eu não sou o único fã da ilustração de David Trampier para a capa do primeiro Players Handbook, e eu descobri mais alguém que volta e meia demonstra seu apreço pelo velho ídolo dos homens lagarto:

DM's Craft 110 O que é aquilo ali desenhado no canto inferior direito do papel? Ah, é o ídolo!

A imagem acima é um print screen de um dos vídeos do DM Scotty, nos quais ele ensina a fazer miniaturas e peças de cenário para os jogos de RPG.

Eu já percebi a algum tempo que ele volta e meia faz um rabisco do ídolo na superfície em que ele está trabalhando para o vídeo, e sempre de um modo que apareça claramente na filmagem.

DMsCraft - DM Scotty Olha ele alí, rabiscado de novo!

É um modo sutil, mas eficiente, de homenagear a obra do genial David Trampier!

Petty Gods Revisado e Expandido – Versão Impressa!

Demorou, mas enfim, está pronto. O projeto que começou ainda em 2010 finalmente está concluído. Petty Gods: Revised & Expanded Edition afinal atingiu sua versão definitiva!

EPG-PDF-CoverPreview A belíssima capa do livro!

O livro é certamente uma das maiores obras feita em conjunto pela comunidade OSR (que a partir de agora ganhou o nome de ORC – Old-school Role-playing Community): o livrão ficou com exatas 394 páginas, preenchidas pelo trabalho gratuito de centenas de autores e ilustradores!

Além de uma miríade de deuses nanicos, o livro traz também servos, cultos e cultistas, itens mágicos, magias, índices, e até uma sessão de classificados!

Adassec Adassec, o deus das escadas – um dos petty gods de minha autoria presentes no livro.

O livro está disponível em PDF, totalmente de graça, já que é um projeto comunitário (do qual eu tenho orgulho de ter participado).

Mas, além disso, também é possível obter o livro em uma versão impressão, pelo site de print-on-demand Lulu.com.

A versão em capa mole, custa US$ 13,22 (mais frete). Mas um livro como esse merece uma versão em capa dura, e esta custa US$ 22,47 (mais frete).

Mas como a ideia do projeto sempre foi produzir um material gratuito para a comunidade OSR, feito por esta mesma comunidade, antes que surjam dúvidas é melhor esclarecer: estes preços dos livros impressos são o preço de custo cobrado pela Lulu.com para imprimir o livro, sem nenhuma margem de lucro adicionada.

Agora não há o que pensar duas vezes: tenho de ir na Lulu.com e encomendar uma versão capa dura desse livro pra mim!

terça-feira, 12 de maio de 2015

O Ídolo da Semana

Parece que mais alguém montou um ídolo com peças de LEGO:

Demon Idol from the AD&D Player's HandbookAté que ele ficou bem, simpático! 

Demon Idol from the AD&D Player's Handbook 2 Ele é bastante estilizado, mas claramente é o ídolo ilustrado por Trampier.

Demon Idol from the AD&D Player's Handbook 3Os aventureiros irão tentar roubar as gemas dos olhos!

Não consegui descobrir o nome do criador dessa versão do ídolo. Tudo o que eu consegui encontrar a respeito foi um perfil no Flickr, e indicações de que trata-se de uma peça customizada para o LEGO Heroica.

(E sim, hoje é terça-feira e o ídolo da semana está atrasado!)

sábado, 9 de maio de 2015

Khanjira, the World Breaker (ou Tarrasque, Para os Íntimos)

Quando eu postei as fotos das minhas miniaturas do segundo financiamento coletivo da linha Reaper Bones, eu não postei fotos do Khanjira, já que ele necessitava de montagem.

Pois bem, agora ele já está montado, e portanto não há porque postergar as tão aguardadas fotos!

Tarrasque 012 Não deixe o nome enganá-lo!

Apesar de o nome oficial da miniatura ser “Khanjira”, sugerindo ser um tipo de kaiju (um monstro gigante tipo o Godzilla), a miniatura tem todas as características citadas na descrição do lendário Tarrasque do D&D (forma semi-humanóide, os chifres, carapaça, cauda cheia de espinhos, etc). Apesar de quem, pensando bem, o Tarrasque do D&D meio que é um tipo de kaiju

Tarrasque 023 O carranca do bichinho visto pela frente.

Tarrasque 014Perfil esquerdo. 

Tarrasque 015 As costas, mostrando em detalhes a carapaça cheia de espinhos e protuberâncias.

Tarrasque 011Perfil direito. E dá pra ver que até ele tem uma pancinha…

A miniatura é grande, e também bastante pesada. Ele é mais ou menos da mesma altura que o Gargantuan Black Dragon da antiga linha das D&D Miniatures, só que é um monstro bem mais massivo. E portanto, bem mais pesado.

Tarrasque 016O tarrasque ao lado do fazendeiro, para dar uma ideia da escala do bicho. 

Por ser uma miniatura tão pesada, achei melhor pinar a miniatura na base, para reforçar a ligação destes e deixar a miniatura mais estável.

Entretanto, devido à pose do monstro, a base original da miniatura acaba por se mostrar um pouco pequena demais para dar a estabilidade necessária a ela. Não que ele não pare em pé, longe disso. Ele até que se sai muito melhor do que eu esperava, mas percebe-se claramente que qualquer esbarrão pode tombar o monstrão.

Por isso eu optei por colar a base original da miniatura numa base plástica redonda, grande o suficiente para conferir a estabilidade esperada pro tarrasque.

Tarrasque 025 Um close na base que utilizei para melhorar o equilíbrio do Khanjira.

Agora é tomar coragem e pintar esse monstrão num padrão que lembre o bom e velho Tarrasque do AD&D. E provavelmente dar uma incrementada na base também.

Tarrasque 026“Estive no Tarrasque e lembrei de você!”

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Pequenos Dinossauros

Ainda sobre a temática dos dinossauros nos jogos de fantasia, uma outra coisa que na minha opinião dificulta o uso de dinossauros em jogo é seu tamanho.

Boa parte dos dinossauros são criaturas gigantescas para os padrões humanos, o que geralmente significa criaturas bastante poderosas em termos de estatísticas (dado de vida, dano, etc), e nem sempre há espaço para criaturas assim no jogo. São como gigantes: você não usa gigantes o tempo todo em jogo - seja porque eles são fortes demais para aparecerem em quantidade contra os personagens dos jogadores, seja porque eles não cabem na dungeon.

Tudo bem que há uma certa variedade de dinossauros em tamanhos mais razoáveis, mas é compreensível que o mestre não seja lá um grande conhecedor de espécies de dinossauros, ou que não queira ficar sempre repetindo o mesmo tipo de dinossauros que utiliza. Além disso, uma das coisas mais maneiras nos dinossauros é sua variedade de formas estranhas e características distintas, e alguns dos dinossauros mais legais são bem grandes.

Também é bem verdade que o D&D tentou consertar isso de diversas formas. Seja através da grande quantidade de espécies de dinossauros que viram adaptações para o jogo ao longo das diversas edições, seja através de criações como os cave dinosaurs. Os cave dinosaurs são criaturas que apareceram no livro Miniature’s Handbook do D&D 3.0, e tratam-se de dinossauros selecionados e modificados pelos yuan-ti para terem um tamanho menor, mais manobrável com oanimal de criação, e mais adequado para a vida no subterrâneo.

Apesar de achar a solução dos cave dinosaurs bastante elegante, a verdade é que uma outra ideia me passou pela cabeça: dinossauros não nascem enormes.

Veja bem, dinossauros nascem de ovos (ao menos acreditamos que sim), o que significa que não devem nascer lá muito grandes. Podemos assumir sem medo que dinossauros recém-nascidos ficam entre as categorias de tamanho minúsculo e pequeno. Só que dinossauros recém-nascidos talvez não sejam lá grandes adversários para os personagens dos jogadores. OK, concordo com nisso. Mas talvez um dinossauro jovem já seja desafio o suficiente.

Na falta de maiores informações a respeito da fisiologia dos dinossauros, não é de todo absurdo traçarmos paralelos destes com répteis extantes, digamos, com os crocodilianos (os parentes vivos mais próximos dos dinossauros, depois das aves). Um aligator americano filhote cresce até cerca de 20cm ao ano, para um animal cujo macho adulto pleno tem cerca de 3m. Isso dá alguns anos antes do filhote chegar ao tamanho médio da espécie.

Claro que talvez crocodilianos não sejam a melhor das comparações, já que é possível que os dinossauros tenham sido homeotérmicos (ou talvez gigantotérmicos - enfim, de alguma forma mantivessem sua temperatura interna estável), o que significaria um possível crescimento mais rápido dos filhotes. Ainda assim, vamos considerar um tiranossauro rex, que provavelmente nascia com menos de 1m, mas cujo adulto chegava a uns 13m de comprimento. Mesmo que ele tivesse uma taxa de crescimento bem maior do que a de um aligator, tem bastante terreno entre 1m e 13m para ser explorado.

E após toda essa lenga-lenga biológica, eu chego ao meu ponto: num local onde dinossauros são comuns, devia haver um bom número de dinossauros jovens andando por aí. E um tiranosauro de 2m de altura já deveria ser um senhor de um desafio para um ser humano!

Usar dinossauros jovens dá a possibilidade de usar qualquer espécie que o mestre desejar, com uma enorme variação de tamanhos e estatísticas (quanto mais jovem, menor, mais fraco e com menos dados de vida, menor dano, ataque pior, etc).

Mesmo no cenário pintado na postagem anterior, onde humanoides usam dinossauros como animais de carga e tração, um filhote de dinossauro “pescoçudo” certamente já era forte o suficiente para ser utilizado em trabalhos pesados, só que muito mais manobrável do que um adulto. E quando começasse a ficar grande demais podia ou ser designado para uma outra função (máquina de guerra?), ou abatido para alimentar a tribo… inteira… por dias.

Usar dinossauros pequenos também tem uma vantagem para quem curte utilizar miniaturas em seus jogos: é muito fácil encontrar bonecos de dinossauros em tamanhos pequenos, enquanto na escala correta das miniaturas de RPG já não é tão fácil assim.

Uma pequena customização em uns dinossauros de plástico e eles podem virar excelentes miniaturas para usar em mesa.

DM Scotty dino 1 Com um pouco de tinta e uma base de miniatura, isso…

DM Scotty dino 2 … pode tranquilamente se transformar nisso!

O canal do DM Scotty tem até um tutorial onde ele mostra como customizar uns dinossauros de plástico daqueles bem comuns, com um resultado excelente.

Até porque, a tradição de usar dinossauros de plástico como miniaturas de RPG vem desde os primórdios do jogo. Conta a lenda que a primeira miniatura de dragão vermelho nada mais era do que um estegossauro modificado pelo Gary Gygax!

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