quinta-feira, 28 de abril de 2016

Plane Shift: Zendikar - Magic: The Gathering Para D&D 5ªed!

A Wizards of the Coast liberou gratuitamente o documento Plane Shift: Zendikar, um PDF que adapta elementos do cenário de Zendikar para o D&D 5ªed.

Para quem não conhece, Zendikar é o cenário onde se passa a história contada nos blocos Zendikar (lançado nos anos 2009-2010 e incluindo as coleções Zendikar, Worldwake e Rise of the Eldrazi) e Battle for Zendikar (lançado nos anos 2015-2016 e incluindo as coleções Battle for Zendikar e Oath of the Gatewatch) do card game Magic: The Gathering.

O documento de 38 páginas traz adaptações das principais raças e monstros do cenário para o D&D 5ªed, e foi pensado para ser utilizado em conjunto com o livro The Art of Magic: The Gathering — Zendikar, um artbook que traz as belíssimas ilustrações das cartas do bloco Zendikar em conjunto com descrições da história, povos e geografia do mundo fictício.

Além disso, a WotC também está fazendo uma pesquisa de opinião a respeito do material lançado, perguntando se o público tem interesse em material de Magic: The Gathering adaptado para D&D.

Corte para 1997. Nesse ano a TSR foi comprada pela WotC. Ainda estávamos na época do AD&D 2ªed. No Magic despontava a 5ªed e o bloco de Tempestade estava a todo vapor, com uma história de fundo incrível que prendia a atenção de todos os fãs. 

Naquela época eu jogava os dois jogos (hoje não jogo mais Magic), e ainda que houvesse uma certa apreensão pela editora de meu jogo predileto estar falindo e ser comprada por outra empresa, havia uma coisa que tornava tudo menos terrível: com a WotC dona do D&D nós teríamos o mundo de Magic (na verdade Dominaria, mas naquela época pra gente isso era "o único" cenário de Magic) adaptado como cenário de RPG.

Bem, uma nova edição foi anunciada e nada de Magic ser adaptado para o D&D. Mas tudo bem, estavam lançando a 3ªed, haviam outras prioridades. Mas tínhamos certeza de que depois disso a adaptação sairia, pois era muito mais fácil adaptar o cenário do Magic para o novo conjunto de regras... Nada.

Cerca de 19 anos e 4 edições e meia do D&D depois, e esta é a primeira empreitada da WotC em adaptar algo de Magic para o D&D. Muito me admira que tenha demorado tanto para eles perceberem que essa era a coisa certa a fazer.

Os cenários de Magic: The Gathering são cenários high-magic, e por mais que eu tenha certa preferência por cenários low-magic, eles são um high-magic de um jeito certo (com sua mítica e metafísica próprias), muito mais certo do que o high-magic sem graça e sem personalidade, mascarado de low-magic, de Forgotten Realms.

Ao longo do tempo foram dadas muitas desculpas esfarrapadas de porquê não usavam os cenários de Magic para o D&D, já que as histórias dos blocos antigos estavam prontas, era só pegar e adaptar. Quem sabe agora vejamos isso finalmente acontecer, e queiram os deuses, feito de um modo certo.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

As Faixas Escarlates de Cyttorak - Adaptando Magias dos Quadrinhos Para o Old Dragon

Em minha postagem de alguns dias atrás a respeito do filme do Doutor Estranho, eu inclui uma adaptação para Old Dragon de uma magia frequentemente usada pelo Mago Supremo nos quadrinhos. O Edison, leitor do blog, também não perdeu a oportunidade e postou nos comentários a sua versão para uma das magias mais famosas dentre as utilizadas pelo personagem.

Bem, eu irei aproveitar o ensejo para discutir um pouco a respeito de como pode-se adaptar as magias de uma outra fonte de inspiração (no caso as histórias em quadrinhos do Doutor Estranho) para o Old Dragon.

Basicamente, há duas formas: a preguiçosa e a trabalhosa.

A versão preguiçosa consiste em analisar o efeito que a magia tem em sua fonte original (aqui, dentro das histórias do Doutor Estranho no Universo Marvel) e correlacionar estas com magias já existentes no sistema. Aí, tendo encontrado uma magia correspondente no Old Dragon, basta trocar os nomes das magias do sistema pelo nome utilizado nos quadrinhos e realizar algumas poucas mudanças estéticas para adequar à descrição dada nos quadrinhos, mantendo os efeitos descritos no manual do jogo.

Fazer esse trabalho não é muito difícil, considerando que como foi afirmado por Tim Kask, muito do que há no D&D é inspirado diretamente nas histórias do Doutor Estranho, e o Old Dragon é inspirado diretamente no D&D. Assim, poderíamos facilmente fazer as seguintes adaptações:

As Faixas Escarlates de Cyttorak  -  Imobilizar Pessoas/Imobilizar Monstros
A Luz do Olho de Agamotto, o Olho que Tudo Vê  -  Visão da verdade
Os Sete Anéis de Raggadorr  -  Esfera prismática
As Chamas de Faltine  -  Flecha de chamas
As Imagens de Ikonn  -  Reflexos
O Escudo de Seraphim  -  Muralha de energia
Os Sete Sóis de Cinnibus  -  Bola de Fogo
Esfera do Feiticeiro  -  Globo de invulnerabilidade


Pronto, com quase nenhum trabalho já temos 8 magias das histórias do Doutor Estranho prontas para serem utilizadas pelos magos de Old Dragon.

Este é um método satisfatório, principalmente quando o que se pretende é adaptar um cenário de outra mídia para o RPG, mas deixa um pouco a desejar quando a ideia não é apenas adaptar um cenário, mas sim incluir elementos deste no jogo para somar ao que o jogo já apresenta. Neste caso, nada (ou muito pouco, além de uma nova descrição visual) está sendo somado, já que as magias são as mesmas que já existiam, mas com um outro nome.

É aí que entra o método trabalhoso. Chamar a outra forma de adaptar magias de "trabalhosa" talvez seja um pouco de exagero, mas comparado com apenas encontrar uma magia com o mesmo efeito geral e trocar o nome, há mesmo mais trabalho envolvido.

Nesse método as coisas começam igual ao método preguiçoso: analisar o efeito que a magia tem em sua fonte original. Em seguida, também é interessante seguir tentando identificar se há uma magia no sistema que já realiza aquele efeito em termos gerais - até aí nada de diferente entre os dois métodos. Mas é a partir desse ponto que as coisas começam a divergir.

Não havendo nenhuma magia já existente com um efeito similar, é hora de pensar em como representar esse efeito dentro do sistema. Caso já haja uma magia com um efeito geral similar, deve-se analisar se realmente vale à pena adaptar a nova magia ou se não há diferenças de efeito suficientes para diferenciar uma da outra. Caso seja possível diferenciar as duas o suficiente, então é hora de seguir em frente.

E no quesito de criar a mecânica que represente o efeito dentro do sistema, qual a maneira correta de fazê-lo? Bem, na verdade, não há uma maneira correta. No geral, quanto mais simples a mecânica, melhor, mas também é desejável que a mecânica represente totalmente o efeito desejado.

Para exemplificar que não há um modo correto de fazer a adaptação, vou utilizar As Faixas Escarlates de Cyttorak, que tanto o Edison quanto eu adaptamos para o Old Dragon de forma independente, sem que nenhuma das adaptações estejam erradas.

As Faixas Escarlates de Cyttorak em ação.

Primeiro, vamos analisar a versão criada pelo Edison:

As Faixas Escarlates de Cyttorak
Arcana 3
Alcance: raio de 10m+3m/nível
Duração 1d6 turnos +1 turno/nível

Uma criatura no alcance da magia (+1 a cada 4 níveis de conjurador) é imobilizada por faixas vermelhas que parecem brotar do nada. As criaturas ficam presas até o fim da duração da magia ou até serem bem sucedidas em um teste de Força vs inteligencia do mago. JP baseada em destreza pode ser feita para evitar o efeito à critério do mestre (criatura esta atenta/ já viu o mago usar esse efeito).

As faixas são muito resistentes e são bem atadas ao alvo. Impossível cortar sem causar dano ao alvo, metade do dano é causada a criatura afetada (as faixas possuem pvs igual a Int do mago)

Claramente, para criar sua magia, ele utilizou como base as magias Imobilizar Pessoas e Imobilizar Monstros, visto que o efeito geral de ambas é igual ao das Faixas de Cyttorak: imobilizar um alvo.

Tornando-a uma magia do 3º nível, ele opta por fazer dAs Faixas Escarlates de Cyttorak uma variante de Imobilizar Pessoas (que também é de 3º nível).

Comparando com Imobilizar Pessoas, vemos que a nova magia tem um efeito muito menos duradouro (1h + 10min/nível contra 1d6 turnos +1 turno/nível), demora mais para conseguir afetar o mesmo número de alvos (1d4 alvos no 5º nível contra 1 alvo para cada 4 níveis), e também tem um alcance menor (indefinido contra 10m +3m/nível). No entanto, a Faixas tem a vantagem de poder afetar qualquer tipo de criatura. Ambas permitem JP, mas as faixas permitem tentativas sucessivas de fuga, ao contrário de Imobilizar Pessoas.

Se compararmos as Faixas com Imobilizar Monstros, a nova magia pertence a 2 círculos de magia abaixo, tem alcance e duração maiores, e permite afetar uma gama maior de alvos (pessoas e monstros contra apenas monstros). No entanto, ao contrário de Imobilizar Monstros as Faixas permitem tentativas de fuga sucessivas e demora mais para afetar o mesmo número de alvos.

Se além de tudo isso considerarmos que As Faixas Escarlates de Cyttorak permitem que um terceiro tente cortar as faixas e libertar o alvo da magia, podemos considerar que as 3 magias estão suficientemente equilibradas entre si (apesar de que eu provavelmente colocaria essa versão da nova magia como de 4º círculo, num meio termo entre Imobilizar Pessoas e Imobilizar Monstros).

Além disso, os efeitos são bastante similares, mas com diferenças mecânicas o suficiente para serem magias distintas e justificar um mago a ponderar qual a melhor a ser memorizada dependendo da necessidade na ocasião.

Agora, vamos analisar a minha versão para a mesma magia:

As Faixas Escarlates de Cyttorak
Arcana 6
Alcance: especial (ver texto)
Duração concentração + 1d4+1 turnos

Este feitiço invoca faixas escarlates que fluem pelo ar até seus alvos, atando-os e deixando-os completamente imobilizados. Até uma criatura por nível do conjurador podem ser afetadas por essa magia. Nenhum teste de resistência é permitido, no entanto criaturas presas pelas faixas podem utilizar sua ação do turno para realizar um conteste entre sua Força e a Inteligência do mago para tentar se livrar do aprisionamento. No entanto o mago recebe um bônus igual metade do seu nível neste teste.

Caso o mago opte por afetar apenas um alvo, ele recebe um bônus igual ao seu nível de conjurador no conteste de Inteligência contra a Força do alvo, ao invés de metade do nível.

O mago pode manter a magia indefinidamente enquanto for capaz de manter a concentração. Caso a concentração do conjurador seja quebrada, a magia dura por mais 1d4+1 turnos.

As Faixas Escarlates de Cyttorak são virtualmente indestrutíveis por meios normais, e assim impedem que qualquer dano seja causado por fontes externas naqueles presos dentro delas.

Se conjurada como uma magia do 7º círculo, As Faixas Escarlates de Cyttorak podem ser utilizadas para esmagar lentamente aqueles atados por elas, causando 1d4 de dano de constrição por turno de aprisionamento.


Aqui, eu também utilizei as magias Imobilizar Pessoas e Imobilizar Monstros como base, mas focando mais na segunda. As Faixas Escarlates de Cyttorak é uma magia bastante icônica nos quadrinhos, sendo utilizada por diversos personagens da Marvel e frequentemente representada como muito poderosa. Devido a isso, ao adaptá-la optei por torná-la uma versão mais poderosa das magias de Imobilizar. Consequentemente, isso fez dela uma versão também bem mais complexa dessas magias.

Assim, ela afeta um número maior de alvos, sem distinção entre pessoas e monstros. Além disso, ela não permite JP, apesar de permitir um teste resistido para tentativas de fuga sucessivas. No entanto, não permitir JP garante que qualquer criatura possa ser presa pelas faixas, nem que seja por apenas 1 turno - até mesmo o Cthulhu pode ser momentaneamente segurado pelas Faixas de Cyttorak!

A característica dos quadrinhos de apenas os mais poderosos seres conseguirem escapar das Faixas eu representei com o bônus recebido pelo conjurador no conteste de fuga.

Também fiz ela sem limite de duração, mas exigindo a concentração do mago - ao optar por manter os inimigos imobilizados, o mago abre mão de quaisquer outras ações além de mover-se e falar.

Minha versão também não tem limite de alcance, assim como Imobilizar Pessoas. Por fim, baseado em usos que já vi dessa magia dentro de histórias em quadrinhos, fiz das faixas impenetráveis a dano, o que consequentemente torna impossível ferir um alvo preso por elas por vias externas. Pois é, nada do combo "mago paralisa, guerreiro esmigalha".

Doutor Estranho dando um uso pouco convencional às Faixas de Cyttorak. 

Por tudo isso, apesar da possibilidade de tentativas sucessivas de fuga, considero minha versão mais poderosa que Imobilizar Monstros, e portanto coloquei ela um círculo de magia acima.

Alguns personagens nos quadrinhos também utilizam As Faixas Escarlates de Cyttorak para atacar seus oponentes de forma mais violenta (Doutor Destino, estou olhando pra você!). Por isso optei por colocar a opção de constrição no efeito, utilizando a mecânica de decorar o feitiço como de círculo maior, bastante utilizada no D&D 5ªed. O que, de certa forma, contorna a limitação das Faixas de impedir que seja causado dano em seus alvos, e dá à magia um diferencial a mais - mesmo que isso não seja tão fiel assim aos quadrinhos.

Como podem ver nos exemplos acima, ambas as versões são bastante satisfatórias em representar os efeitos dAs Faixas Escarlates de Cyttorak nos quadrinhos (fitas vermelhas de energia que prendem seu alvo com uma força tremenda que os impedem de mover-se). Ainda assim, as duas versões são bastante distintas, tanto em mecânica quanto em poder.

Não há certo ou errado em relação a adaptações de outras mídias para seu sistema de RPG preferido, tudo o que importa é que você fique satisfeito com o resultado final.



terça-feira, 26 de abril de 2016

Luke Gygax Conta Como Foi Crescer Sendo Um Gygax

Luke é filho de Gary, e nessa mini-entrevista ele fala um pouco sobre como foi crescer sendo um Gygax:



O vídeo, que eu vi primeiramente aqui, foi filmado na Gary Con pela equipe do Retro Report.

Abaixo segue uma transcrição, em inglês, do que Luke Gygax fala no vídeo:

“My upbringing was different, especially for Wisconsin. I didn’t really care when deer hunting season was.

Growing up around Dungeons & Dragons was normal — I don’t really have a perspective of not growing up that way. My dad was busy a lot, but I got a lot of socializing time with him through gaming. He would be writing materials and we would playtest them, so folks would come over, and we’d game.

My dad was pretty minimalist in his dungeon mastering style. A lot of guys today will use a lot of props and mapping devices and miniatures and stuff like that — we rarely used any of that sort of stuff. It was really in your mind.

He wanted you to think, and your player would benefit from you being clever and figuring out different ideas and things to do.

Certainly, my English and vocabulary were greatly improved by my dad’s writing. His writing style, they call it ‘Gygaxian’ style, because he was circumlocutious and would use… big college words on purpose. He wanted people to pick up a thesaurus and learn a word. He thought the English language was beautiful, and there’s no reason to limit yourself to a small set of verbs or adjectives.

When you’re amongst folks who understand what you’re talking about and they don’t think you’re unusual, you can be more open and friendly. That’s what we try to do here. It’s a fond remembrance for me, and I think a lot of other people, too.”

Em tradução livre para o português:

“Minha criação foi diferente, especialmente para o Wisconsin. Eu realmente não dava a mínima para quando começava a estação de caça ao veado.

Crescer em torno do Dungeons & Dragons era normal — de fato eu não tive a perspectiva de como é não crescer daquela maneira. Meu pai era muito ocupado, mas eu tive muito tempo para socializar com ele através dos jogos. Ele sempre tinha de escrever materiais e nós tínhamos de playtestá-los, então as pessoas vinham e nós jogávamos.

Meu pai era bastante minimalista em seu estilo de mestrar. Um monte de gente hoje usa um monte de props e ferramentas de mapeamento (n.t.: com isso provavelmente ele se refere não só a mapas e tiles, como a game mats e miniaturas de cenários) a e miniaturas e esse tipo de coisas  — nós raramente usávamos quaisquer coisas desse tipo. Tudo realmente estava na nossa mente.

Ele queria que você pensasse, e seu personagem (n.t.: ele falou jogador aqui, mas dá pra entender que ele queria se referir ao personagem) se beneficiaria de você ser esperto e chegar a diferentes ideias e modos de agir
.

Com certeza, meu Inglês e vocabulário foram muito aperfeiçoados pelos escritos do meu pai. Seu estilo de escrever, eles chamam de estilo ‘Gygaxiano’, porque ele era circunlóquio (n.t.: circunlóquio é o ato de utilizar mais palavras que o necessário para explicar algo e muitas vezes ainda ser vago) e usava… grandes palavras acadêmicas de propósito. Ele queria que as pessoas pegassem um tesauro e aprendessem uma palavra. Ele acreditava que a língua inglesa era bonita, e que não havia razão para se limitar a um pequeno número de verbos ou adjetivos.

Quando você está entre pessoas que entendem sobre o que você está falando e ele não pensam que você é estranho, você pode ser mais aberto e amigável. Isso é o que a gente tentar fazer aqui (n.t: na Gary Con). É uma recordação agradável para mim, e eu penso que para um monte de outras pessoas também.”

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Oxford 02 - The Blackwell's Bookshop

Para quem gosta de literatura, em Oxford há um verdadeiro paraíso na Terra: a Blackwell's Bookshop.

A entrada da livraria... Ou uma delas.

A Blackwell's é uma rede de livrarias inglesa cuja sede fica na cidade de Oxford. Aberta em 1879, a sede da livraria é verdadeiramente enorme, ocupando vários prédios e andares (a sessão de artes e quadrinhos, por exemplo, fica do outro lado da rua). O enfoque da livraria são livros técnicos (afinal, é uma cidade universitária), no entanto o acervo de literatura é gigantesco, e há sessões de jogos, música, mapas, e tudo o mais que você puder imaginar existir em uma livraria.

Uma visão mais ampla dos prédios principais da livraria - que ocupa todos os andares.

Minha cidade possui uma Livraria Cultura e eu achava que já havia visto uma livraria grande, mas a sede da Blackwell's chega a ser opressiva: uma única sala do prédio, a chamada Norrington Room possui 930 m2 e cerca de 5km de prateleiras - a maior sala de uma livraria em todo o mundo. A sala é tão grande que em determinadas épocas do ano eles montam um palco no meio dela e apresentam peças de teatro dentro da livraria! A livraria é tão grande que fica difícil conseguir ver tudo o que há lá dentro em uma única visita.

A Norrington Room, com o palco de uma peça de teatro montado em seu interior.

Com todo esse tamanho, você encontra praticamente de tudo por lá. Como eu comentei brevemente na postagem anterior, alguns famosos escritores são "nativos" da cidade de Oxford, se não por terem nascido lá, por terem vivido ao menos parte de suas vidas no local, geralmente ligados à universidade - estudando ou lecionando.

Assim, na Blackwell's há estantes inteiras dedicadas em caráter exclusivo e permanente aos 3 mais ilustres autores da cidade: J.R.R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), C.S. Lewis (autor de As Crônicas de Nárnia), e Lewis Caroll (autor de Alice no País das Maravilhas). Devido à estreita relação da cidade com os filmes da série Harry Potter (que cedeu várias locações para os filmes), um espaço desse tipo também é cedido à série.

As estantes dedicadas a Tolkien.

Me chamou atenção também um estande dedicado a H.P. Lovecraft, recheado das mais variadas obras (coçou a mão para comprar a antologia intitulada Necronomicon em capa de couro com o Cthulhu em relevo e letras douradas, mas o bolso não permitia), no entanto este me pareceu algo temporário.

Agora, o que não parecia temporário era a estante inteiramente dedicada a Terry Pratchet, com todos os volumes da série Discworld e outras obras! Só não consegui fazer a correlação de Pratchet com Oxford, que eu desconheço existir - talvez seja apenas porque ele era um autor britânico bastante famoso.

De qualquer modo, a Blackwell's é um verdadeiro oásis para os fãs de literatura de fantasia com tantos títulos desses autores disponíveis em caráter permanente, e tantos outros disponíveis de forma mais "esporádica", mas ainda assim presentes. Afinal, é muito mais fácil encontrar os grandes clássicos da literatura de fantasia em língua inglesa do que em português.

A vitrine à esquerda é a entrada da sessão de música da Blackwell's. Essa parte da loja se conecta com os prédios à direita por um corredor que passa por trás do pub White Horse.

Outro ponto interessante é que a Blackwell's também faz as vezes de editora, tendo publicado alguns títulos desde o início de seus negócios. Notavelmente, a livraria tem o mérito de ter sido a primeira editora a publicar um trabalho literário de Tolkien, o poema "Goblin Feet" dentro do livro "Oxford Poetry" de 1915.

p.s.: Todas as fotos que ilustram esta postagem foram coletadas da internet, pois eu acabei não tirando nenhuma foto quando visitei a loja.

O Ídolo da Semana

O ídolo desta semana ficaria bem legal na sua estante de RPG:

A "versão completa".

Trata-se de um aparador de livros (ou bibliocanto) feito por Matthew Teets, o mesmo cara que fez o quadro que eu já mostrei aqui no passado.

Esta imagem não corresponde a uma versão final, sendo em realidade um protótipo. E de fato, ele fez várias outras versões para testes, com pequenas diferenças entre si:

A versão minimalista - apenas os olhos do ídolo.

A versão do ídolo com o braseiro.

A versão do ídolo com a boca.

Eu facilmente usaria um bibliocanto destes nas minhas estantes... isso é, se houvesse algum espaço livre nelas!

domingo, 24 de abril de 2016

Novos Previews da Kimeron Miniaturas

Eu já havia postado aqui a alguns dias atrás um preview das novas peças de cenário da coleção 2016 da Kimeron Miniaturas. Agora a empresa divulgou fotos de novas esculturas além das que já foram mostradas:

Mais 9 peças para se juntarem às 5 já divulgadas.

As peças, como eu já expliquei na postagem anterior, são todas em escala 28mm (1:64) e comporão a coleção 2016 de miniaturas de cenário da Kimeron. Elas devem entrar em pré-venda na metade do ano.

A sala de estudos do mago ficará completa com estas novas peças.

Da mesma maneira como, com algumas destas, você será capaz de montar uma bela biblioteca!

Vai ser possível até mobiliar a taverna.

Algumas das novas peças em conjunto com o kit de masmorras da Kimeron.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Oxford 01 - A Cidade

Nas últimas férias eu fiz uma viagem à Inglaterra, visitando Oxford e Londres, e por lá topei com várias coisas que podem ser de interesse aos fãs de RPG, wargames e literatura de fantasia. E por essa razão decidi dividir algumas dessas experiências com vocês leitores do blog.

Oxford é recheada de belas construções antigas.

Começando por Oxford, a própria cidade em si pode ser uma grande fonte de inspiração para jogadores de RPG. A cidade é extremamente antiga (fundada por cerca do século VIII e elevada ao status de cidade em 1542) e repleta de prédios centenários. O centro da cidade, principalmente, pode ajudar a inspirar qualquer mestre na hora de descrever como é uma grande metrópole de um mundo de fantasia medieval (como Lankhmar, Waterdeep ou City of Greyhawk), e aos jogadores a visualizar como um lugar assim poderia se parecer.

As ruelas da parte antiga de Oxford são como eu imagino as ruas de Lankhmar (sem a van estacionada...).

Outro ponto interessante é a quantidade de pubs presentes na cidade, aos quais você sempre pode recorrer quando precisar rápido de um nome para uma taverna. The Red Lion, The Blue Boar, Lamb and Flag, The Mitre, The Four Candles, The Old Tom, The Crown Inn, e tantos outros nomes, em sua maioria simples mas evocativos.

Um dos famosos pubs da cidade.

Não só as ruas e fachadas, mas também o interior de certos pontos turísticos e estabelecimentos também são altamente inspiradores. Não à toa, vários locais de Oxford foram utilizados como locação para os filmes da série Harry Potter (a sala de jantar de Hogwarts era na verdade a sala de jantar de um dos colégios da Universidade de Oxford, e a biblioteca de Hogwarts trata-se de fato da Bodleian Library). Uma opção interessante a quem visita Oxford é se hospedar em um dos colégios da universidade - e fiz isso e tive a oportunidade de ficar em um prédio com mais 400 anos - o que lhe dará acesso ao interior desses locais centenários.

 Pátio interno do Wadhan College - é possível se hospedar em um local como esse.

Se tudo isso ainda não bastar como fonte de inspiração, ainda há os museus. O Ashmolean Museum, inaugurado em 1683, é considerado o mais antigo museu moderno do mundo e guarda uma impressionante coleção de artefatos de diversos locais do mundo e períodos - de utensílios pré-históricos de 8.000 anos a pinturas de Pablo Picasso, passando pela lanterna original utilizada por Guy Falkes na Conspiração da Pólvora. E ainda tem o excelente Oxford University Museum of Natural History para quem procura alguma inspiração mais "biológica".

Essas estatuetas de uma "deusa das serpentes" cretense dão algumas boas ideias para um culto estranho para ser usado em uma aventura.

Além disso, Oxford é também a "casa" de renomados autores de fantasia como J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis. Mas falarei mais disso nas próximas postagens.
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